O Business da Higiene Oral – Parte I

O Departamento de Higiene Oral é muito mais do que meros números de produção, instrução de higiene oral e destartarizações. Este departamento beneficia todas as especialidades da clínica. Os Higienistas para além de clínicos desempenham outras funções, são frequentemente solicitados enquanto educadores, produtores, gestores, marketers, publicitários e vendedores. E é isso que pretendo mostrar através deste post.

Face à convergência actual e às exigências do mercado de trabalho os Higienistas expandiram também as suas funções. Se compararmos o estatuto e o papel do Higienista Oral atuais com os do ínicio da profissão constatamos que não são de todo os mesmos, e que a complexidade e a autonomia da profissão têm vido a aumentar consideravelmente. Numa sociedade onde a produtividade é parte integrante do quotidiano, é também frequente deparamo-nos  com a exigência de fazer mais com a mesma quantidade de tempo (e por vezes com menos tempo também).

Para sobreviver e destacar-se no mercado da saúde, que está em constante mudança, temos de nos focalizar, definir e redefinir no desempenho do nosso papel. Importa que o Higienista tome consciência da importância  das estratégias de business e igualmente  da  importância de mobilizar a inteligência pratica no seu quotidiano, isto é de mobilizar os seus conhecimentos de maneira activa e atualizada para responder de forma optimal ao trabalho do dia-a-dia, e sobretudo aos imprevistos. O Filósofo Tony Robbins disse : « A diferença no produto das pessoas resume-se ao que elas fizeram diferentemente em relação às outras na mesma situação. Diferentes ações produzem resultados diferentes. Porquê ? Porque cada ação provoca movimento que nos  move  numa direção. Não é o que fazemos de vez em quando que molda a nossa vida, mas o que fazemos constantemente e o resultado que obtemos. »

Sabe o verdadeiro valor e real potencial que a Higiene Oral pode representar para si, para o seu negócio e para os seus pacientes ?

Em primeiro lugar importa perceber que a maior parte dos Higienistas, onde me incluo, temos uma falta de formação de base em « Business », no sentido amplo da palavra. Se realizarmos uma revisão alargada da literatura, na procura de artigos científicos em bases de dados internacionais que estudem este ponto, relacionando-o com a Higiene Oral constatamos que encontramos muito poucos artigos sobre este assunto. Supreendente não?

Em segundo lugar, o curso de Higiene Oral tem tido uma evolução lenta. Através dos diversos debates em que pude participar e das diversas conversas com colegas de profissão e com os docentes das escolas, destaco a ideia de que o mundo da saúde  oral é cada vez mais desafiante, exigente e se encontra em constante mudança (a uma velocidade alucinante). Assim a nós, Higienistas, cabe-nos a responsabilidade de nos adaptarmos acompanhando a mudança para sobrevivermos ( Já Darwin, através da teoria da evolução,  nos explicava que os organismos melhor adaptados ao meio têm maior probabilidade de sobreviver que os meros adaptados!).

Eu trabalho todos os dias naquilo que gosto, porque acredito no que faço e percebo a importância não só para os nossos pacientes mas também para o « Business » da dentária em si mesmo.

Adoro o que faço e sinto-me realmente privilegiado! Conseguir ultrapassar níveis de infecção e doença para níveis de saúde e bem-estar sem drogas ou cirurgia em menos de uma hora pelo preço dos novos Nikes que o paciente está a usar, deixa-me orgulhoso de mim próprio e do meu trabalho.

Mas também percebo que se o Higienista Oral não crescer como profissional e se tornar mais aberto e flexível à mudança, essas mesmas mudanças serão impostas.

Quantos  empregadores precisam dos seus Higienistas na vanguarda do conhecimento de gestão ? Os vossos também precisam ?

Segundo o Dr. Roger Levin : « A chave da produtividade é um bom casamento entre aptidões clínicas, gestão e técnicas de marketing ».

Na minha prática quotidiana constato que ao incorporar serviços de alta qualidade com gestão de negócio e técnicas de comunicação, aumentei não só a produtividade, mas também o fluxo de recall’s, que por sua vez gera um aumento de referência, um tipo de referência que queremos e precisamos que fideliza pacientes alvo. Já para não falar que cerca de 80% dos trabalhos dentários resultam de retratamentos, o que implica que se não voltamos a ver os pacientes estamos a perder trabalho e produtividade.

Incorporei também um protocolo periodontal. Os Higienistas não podem ser só agentes profiláticos. Estes devem ser ativos na resolução de problemas periodontais. Estabelecer um bom funcionamento Periodontologista-Higienista, no qual o Higienista tem um papel fundamental nos casos periodontais.

Estudos mostram que pelo menos 33% da população tem alguma forma de doença periodontal, (honestamente parece-me que será uma percentagem mais elevada…). Faz então sentido que estes casos tenham um bom programa periodontal, o que é benéfico para o pacientes e também para o Higienista que terá uma agenda mais preenchida.

A implementação de um protocolo periodontal com sondagem / chart anual de todos os pacientes adultos é o primeiro passo para bons serviços periodontais e para o aumento dos números do Higienista Oral.

Após o tratamento periodontal, existem as consultas de manutenção, onde o Higienista continua a educar, motivar e influenciar o paciente para continuar os tratamentos com o próprio Higienista e com os outros profissionais das outras especialidades.

Muitas clínicas querem « começar » os novos pacientes pela fase restaurativa, ignorando ou esquecendo as ramificações legais e morais de começar a fase restaurativa em dentes comprometidos periodontalmente. Ao instaurar um protocolo periodontal, não apenas, duplicamos a produção, mas legalmente e eticamente vamos tratar os pacientes de forma correta.

Como fonte de receitas diretas, (juntamente com o médico dentista), o tempo de trabalho é muito importante. Não poder produzir ao máximo da sua capacidade é prejudicial para o negócio. Tal como os médicos dentistas têm objetivos que devem alcançar para manter o negócio saudável, o mesmo deve suceder com os Higienistas. Para que o objetivo seja atingido todos têm de cooperar.

Um Higienista apenas atinge o seu objetivo se a agenda for gerida corretamente. O tempo para cada paciente, para cada tratamento tem de ser agendado corretamente. Por exemplo, um paciente periodontal, na fase higiênica, podemos dividir em duas consultas de uma hora cada uma, mas um paciente sem problemas periodontais, que vem regularmente, todos os 6 meses, deve ter uma consulta, no máximo, de 45 minutos, e uma vez por ano devemos juntar 15min para o controlo feito pelo dentista.

Tendo como prioridade uma agenda bem coordenada, com confirmações, e uma lista de recall’s ativa, conseguimos controlar os “tempos mortos” do nosso departamento.

Os “tempos mortos” do Higienista são uma grande despesa para a clínica, (se o Higienista estiver a contrato fixo), ou para o próprio bolso do Higienista (se este estiver à percentagem), perdendo oportunidades de receitas e tendo despesas de não produtividade.

A despesa dos “tempos mortos” não acaba aqui. Também incluem a perda de vendas potenciais. Pacientes que não chegam à clínica representam oportunidades perdidas para marketing dentário e vendas. Perdendo-se assim por exemplo oportunidades de restaurações. Controlar os tempos mortos deve ser a prioridade N°1.

 Para mim importa assim, antes de tudo, que o Higienista se diga a cada inicio de dia : “Eu educo, motivo e incentivo os meus pacientes a fazerem os tratamentos de que precisam”. Percebendo ainda que ele faz parte de un sistema (clinica/hospital/etc..) que tem como objetivo a sobrevivência, e que essa sobrevivência passa por ter  lucros, que lhe permitam fazer face aos salários, despesas e obter benefícios. Enquanto empregado e parte integrante do sistema o higienista tem o dever de contribuir para a sobrevivência do sistema, pois só assim poderá manter o seu posto de trabalho assegurado.

Isto traz-nos à questão da gestão no papel do Higienista Oral.

Colocam-se assim as seguintes questões :

O departamento de Higiene Oral está a ser gerido como um Business dentro de outro Business ? É lucrativo ou mal dá para os gastos ? Sabe qual é o limite mínimo entre despesas e receitas ?  O departamento de Higiene Oral está a trabalhar na sua capacidade máxima ? Está a fazer o que pode, em termos de produção direta e de vendas indiretas ? Ou apenas está a ser permitida a sua existência ? Está a ser bem seguido ? Quem é o responsável deste departamento ?

Mas deixemos  este tópico para o próximo artigo deste tema…

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