Erosão àcida

Os profissionais de saúde oral estão agora a observar um aumento de certas doenças orais tais como a erosão ácida: estes dentes saudáveis e duradouros estão cada vez mais a mostrar sinais de desgaste. Na Europa, a causa principal segundo os dentistas, é a Erosão Ácida.

A erosão ácida está fortemente ligada ao consumo de bebidas e alimentos ácidos. Estes desmineralizam e “corroem” a superfície do dente, tornando-o mais susceptível à abrasão, especialmente através da escovagem.

Nas suas primeiras fases, o desgaste dentário parece inofensivo. Contudo, ao progredir o desgaste dentário pode resultar na hipersensibilidade da dentina, perda da forma e da cor do dente e pode necessitar de uma intervenção restaurativa complexa. Muitas pessoas permanecem ainda alheias às consequências do desgaste dentário e desconhecem as medidas que podem ser tomadas para proteger os dentes deste processo lento e contínuo.
No seminário 2005 FDI World Dental Congress, especialistas internacionais reveram a prevalência, etiologia, fisiopatologia e tratamento do desgaste dentário em frente a um público recorde de mais de 900 dentistas. Todos concordaram que a erosão ácida está a tornar-se um problema significativo.

Causas

1. Os dentes estão a durar mais tempo                                                                                              A sensibilização para o desgaste dentário tem aumentado ao longo dos últimos anos, em grande parte devido aos avanços na dieta e na saúde oral.

O maior sucesso da medicina dentária no controlo das cáries e das doenças periodontais tem aumentado a longevidade da dentição natural. Dentes saudáveis e não restaurados estão expostos por muito tempo aos processos de desgaste de cada dia.

2. O paradoxo da dieta saudável

As dietas modernas incluem normalmente alimentos com muita acidez. A maior parte das frutas, sumos de fruta e bebidas com carbohidratos – incluindo as variantes sem açúcar – têm um pH muito baixo, suficiente para amolecer e desmineralizar a superfície do esmalte até valores de pH de 5.5 aproximadamente ou inferiores, e a dentina valores de pH de 6.5 ou inferiores, dependendo de outros factores como a acidez titulável, o cálcio, fosfato e fluoreto
Enquanto que o aumento do consumo destas alternativas ‘saudáveis’ pode ter benefícios para a saúde, o seu impacto nos dentes pode ser menos bem-vindo.
O ácido amolece temporáriamente a superfície do esmalte. É um processo normalmente atenuado pela acção natural da saliva, devido à presença de cálcio, mas o contacto frequente ou prolongado do ácido deixa pouco tempo para a remineralização. Neste estado enfraquecido, o esmalte está propenso ao desgaste da acção abrasiva da pasta de dentes e da escovagem. Os dentistas estão a ver um aumento de lesões cervicais não cariadas e outros sinais de erosão-abrasão que parecem estar ligados a este processo.
Outras causas de perda de superfície dentária, que podem estar presentes em conjunto com as causas mencionadas, incluem o bruxismo, escovagem exagerada, regurgitação, fumar de cachimbo e a doença de refluxo gastro-esofágico (GERD). (4)


Sinais e Diagnóstico

Hoje em dia, a erosão dentária normalmente só alcança um diagnóstico inicial quando a medicina dentária restaurativa é indicada. Melhorar o reconhecimento dos primeiros sinais e sintomas é fundamental para serem tomadas medidas preventivas.Todas as pessoas que têm dentes naturais podem desenvolver alguns sinais de desgaste dentário, mas muitos pacientes desconhecem o que lhes pode acontecer até que atinge uma fase avançada.

A fisiopatologia da erosão ácida


1.Brilho e textura

A superfície dentária perde o seu brilho e textura, tornando-se macia à medida que o esmalte é desgastado
2.Cor
Os dentes tornam-se amarelados à medida que o esmalte vai diminuindo de espessura, sobressaindo a cor amarela da dentina subjacente.
3.Translucência
Os bordos incisais tornam-se mais finos, fazendo com que o dente pareça mais translúcido.
4.Estrutura
Surgem pequenos traços de fractura ou facturas nos bordos incisais fragilizados devido à menor espessura dentária.
5.Forma
As restaurações podem parecer em sobreoclusão. Surgem lesões cuneiformes na zona cervical e as superfícies oclusais tornam-se escavadas.

 Em qualquer fase da erosão dentária, a hipersensibilidade da dentina pode ocorrer. Esta pode manifestar-se desde pequenas pontadas de dor durante o consumo de alimentos quentes, frios ou doces, a sensibilidade contínua provocada pelo mais pequeno estímulo. A sensibilidade ocasional pode não ser reportada pelo paciente durante os exames de rotina.


Prevenção

Por serem várias as suas causas potenciais, as opções para lidar com o desgaste dentário devem ser adequadas ás circunstâncias de cada indivíduo. Pergunte ao paciente se costuma reter bebidas gasosas na boca através dos dentes ou chupar frutos durante períodos longos. Pergunte sobre os hábitos de escovagem dos dentes e possíveis perturbações gástricas relacionadas com azia (refluxo esofágico).A intervenção inicial é a chave. O aumento da vigilância durante os exames de rotina e um estilo de vida prudente podem atrasar a progressão dos sintomas.
Uma vez feito o exame clínico para identificar os factores chave e um diagnóstico diferencial de erosão ácida, inclua nas recomendações:

  • Reduzir ou eliminar o consumo de bebidas carbonadas
  • Deixar de reter alimentos ácidos e bebidas ácidas na boca
  • Mascar pastilhas ou chupar rebuçados sem açúcar após uma refeição ácida, para estimular a saliva e proteger o esmalte
  • Espere pelo menos uma hora, após o consumo de bebidas ou alimentos ácidos, até escovar os dentes
  • Escove os dentes com uma escova suave, utilizando um dentífrico pouco abrasivo, com pouca acidez e com muito flúor 

O desgaste dentário está associado à escolha do estilo de vida, e nós na GlaxoSmithKline acreditamos que a educação é vital para manter uma boa saúde oral.

erosaoacida.com é um contributo para esse processo, e esperamos que a sua mensagem seja discutida largamente pelos profissionais de saúde.

Bibliografia

  1. Bartlett DW. O papel da erosão no desgaste dentário: etiologia, prevenção e tratamento Int Den J 2005; 55: 277-284.
  2. Bartlett DW. O papel da erosão no desgaste dentário: etiologia, prevenção e tratamento Int Den J 2005; 55: 277-284.
  3. Addy M. Escovagem dos dentes, desgaste dentário e hipersensitividade da dentina – estão associados? Int Den J 2005; 55: 261-267.
  4. Amaechi BT, Higham SM. Dental erosion: possible approaches to prevention and control. J Dent 2005: 33: 243-252.
  5. Zero DT, Lussi A. Erosion – chemical and biological factors of importance to the dental practitioner. int Den J 2005: 55: 295-299.
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