Significado do papel do Higienista Oral

Quando se reconheceu que a saúde oral pode ser promovida através de um cuidado profilático profissional regular, surgiu o profissional de Higiene Oral. Gestos como a motivação do paciente, a educação para o controlo de placa bacteriana, os cuidados profiláticos profissionais e a realização de terapia periodontal não-cirúrgica, são raramente praticadas pelos Médicos Dentistas. Devido a tal facto nos Estados Unidos da América (E.U.A.) foi recomendada a divisão de tarefas na área de saúde oral, estabelecendo-se assim a profissão de Higienista Oral, com os primeiros esboços desta profissão a datar de 1843 nos E.U.A. e sendo actualmente praticada em perto de 30 países de todo o mundo (Luciak-Donsberger C., 2003). Existe um consenso científico em relação à ideia de que as medidas preventivas, os cuidados profiláticos profissionais ou a manutenção da higiene oral devem ser realizados por toda a população numa base regular desde a infância (Axelsson P., Paulander J., Svärdström G., Tollskog G. & Nordenstern S., 1994 e Schneider H.S., 1993). Baseada nesta ideia a Europa implementou o profissional de Higiene Oral, tendo a Noruega sido o primeiro país europeu a implementar esta profissão em 1924, seguindo-lhe o exemplo outros países europeus (Luciak-Donsberger C., 2003), e estando actualmente em vias de ser implementada em países como a Áustria, Alemanha, Bélgica, França e Grécia.

Actualmente constata-se que os cuidados de higiene oral têm um papel central na distribuição de cuidados preventivos a pacientes ditos saudáveis a nível oral e na distribuição de cuidados terapêuticos a pacientes com periodontite (Müller T., 1997). Constata-se, também que países que não possuem Higienistas Orais como, por exemplo, Áustria, Bélgica, França, Alemanha e Grécia, têm piores condições orais (Luciak-Donsberger C., 1999 e 2003). Num estudo internacional da “World Health Statistics Annual” realizado a nível mundial, o número de cáries, dentes perdidos e obturados era menor em países onde os Higienistas Orais estavam implementados (World Health Statistics Annual, 1995). Estes baixos números podem ser atribuídos pela implementação de cuidados de um profissional de Higiene Oral, como, por exemplo: bochechos de flúor, aplicação de selantes de fissura e educação para a saúde oral. Um estudo de comparação de 1996 da Medical Expenditure Panel Survey (MEPS) e de 1997 do National Medical Expenditure Survey (NMES) conduzidos pela Agency of Healthcare Reserch nos E.U.A. demonstrou um crescimento significativo no diagnóstico e nos serviços preventivos aliados a uma menor necessidade de tratamentos endodônticos e periodônticos (Manski R.J. & Moeller J.F., 2002). Nos E.U.A. verifica-se que é mais provável que os cidadãos Americanos se dirijam a um consultório dentário para que os seus dentes sejam examinados e para receberem cuidados profiláticos profissionais, do que para restaurarem ou extraírem os seus dentes. Em 1996 nos E.U.A verificou-se que 65% de todos os procedimentos dentários relatados eram ou procedimentos de diagnóstico ou procedimentos de prevenção, sendo visível um aumento quando comparado com o ano de 1987 em que a percentagem dos mesmos procedimentos era de 56% (Manski R.J. & Moeller J.F., 2002). Estes resultados permitem inferir que os cuidados praticados pelos Higienistas Orais estão a tornar-se significativamente e progressivamente num maior investimento em saúde do que os tratamentos da doença oral.
Nos dias de hoje constata-se que a educação e a cultura dos povos, bem como a legislação de cada país, têm implicações directas em termos de cuidados de saúde de qualidade e consequentemente resultados de saúde (Johnson P.M., 2001). Nos países onde a profissão de Higienista Oral foi implementada com sucesso, existem evidências de que os problemas orais foram reduzidos significativamente, através de uma série de iniciativas de saúde oral. Os Higienistas Orais são assim identificados como um factor chave na melhoria do acesso a melhores serviços de saúde oral (Johnson P.M., 2001).
Países onde a profissão de Higienista Oral ainda não foi implementada demonstram uma desregulação ou não-regulação que potencia uma maior oportunidade para a prestação de cuidados negligentes (Nathe C., 2001). Logo, uma regulação ocupacional por parte do serviço público de saúde garantirá, certamente, uma melhor qualidade e segurança de serviços de saúde oral (Johnson P.M., 2001).
Na Europa existem evidências de que na ausência de um estatuto legal que regulamente a prática do Higienista Oral, os serviços básicos de higiene oral ou são delegados ao staff treinado no próprio local de trabalho pelos médicos dentistas ou não são realizados de todo (Luciak-Donsberger C., 2003). Este acto leva a um desrespeito pelos direitos dos utentes a cuidados seguros e a tratamentos eficazes. Utentes esses que acabam por não perceber realmente qual é o papel do profissional de Higiene Oral, confundindo-o com o papel do Assistente Dentário.
Os Médicos Dentistas, que em vários casos interferiram na implementação do Higienista Oral, principalmente na Europa, na maioria das vezes não realizam tratamentos de higiene oral, nem os recomendam à população. Esta prática leva à não realização do tratamento das necessidades da população e consequentemente leva também à perda de dentes naturais precocemente. Em países em que a profissão de Higienista Oral está implementada e, como tal onde se realizam os tratamentos de higiene oral a população mantém os seus dentes naturais por muito mais tempo e opta, maioritariamente, por tratamentos orais de qualidade (Luciak-Donsberger C., 2003).
De modo a combater uma série de efeitos negativos na saúde e na política de emprego, os prestadores de cuidados de saúde oral serão aconselhados a colocar em primeiro lugar a saúde oral e consequentemente a qualidade de vida dos seus pacientes, e juntarem-se a medidas que permitam unificar a educação da Higiene Oral na União Europeia, tal como foi feito em muitas outras profissões de saúde. De acordo com as leis e direitos promulgados pela União Europeia, já estão a ser feitos esforços no sentido de promover a livre mobilidade a nível laboral e académico. Assim, de modo a permitir esta “livre circulação”, todos os países Europeus devem implementar o reconhecimento estatal da educação para os Higienistas Orais. A implementação do profissional de Higiene Oral pela Europa irá melhorar o acesso a cuidados de saúde oral qualificados, e melhorará o acesso ao mercado de trabalho, destacando-se esta profissão como uma profissão qualificada (Luciak-Donsberger C., 2003).
 Apenas através da implementação destas medidas será obtida a acreditação internacional da profissão, que se constituí como uma condição fundamental para participar na movimentação laboral e nas interacções académicas dentro da União Europeia (Johnson P.M., 2001). Estas medidas têm assim como objectivo aumentar o conhecimento do público acerca de medidas preventivas em Higiene Oral e para os benefícios subjacentes ao facto de manterem os seus dentes naturais, que levará a uma melhoria da saúde em geral e a uma melhor qualidade de vida da população Europeia (Luciak-Donsberger C., 2003).


Todos os estudos que têm como tema a profissão do Higienista Oral centram-se na importância da profissão para uma boa higiene oral e na aceitação dos Higienistas Orais pelos outros profissionais de saúde oral, não se encontrando um único estudo que esclareça se a população sabe o que é um Higienista Oral e se percebe a importância do mesmo para uma melhor qualidade de vida.

Celso Da Costa
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